
Fundada em 1860, em Tiradentes, a Sociedade Orquestra e Banda Ramalho está entre os mais antigos grupos musicais de Minas Gerais. Sua origem está ligada ao músico José Luiz Ramalho, primeiro violino-regente da formação, cuja atuação aparece registrada naquele ano no livro de receitas e despesas da Confraria da Santíssima Trindade, ao lado de Bernardo José Luiz Ramalho, como responsável pela música das solenidades. A partir de José Luiz, a condução da sociedade permaneceu durante décadas ligada à família Ramalho. Após sua morte, em 1900, seu filho Joaquim Ramalho (1875–1963) assumiu a regência e transformou a própria residência da família em espaço de ensaios, consolidando uma tradição musical que atravessaria gerações.
Sob a direção de Joaquim Ramalho e de seus sucessores, a instituição tornou-se uma das principais referências musicais de Tiradentes, participando de celebrações religiosas, festas cívicas e outras manifestações da vida comunitária. A sociedade manteve diferentes formações — orquestra, coro e banda — cujas funções acompanham as características dos espaços e celebrações da cidade: a orquestra atua especialmente em igrejas e teatros, enquanto a banda participa de festas e eventos públicos. Sua trajetória também se entrelaça à de músicos e compositores da região, como Antônio de Pádua Alves Falcão (1843–1927), e ao intercâmbio histórico entre Tiradentes, São João del-Rei e Prados, cidades que há séculos compartilham músicos e repertórios.
A preservação da memória ocupa lugar central nessa trajetória. Joaquim Ramalho reuniu partituras de compositores regionais dos séculos XIX e XX, formando um arquivo que ainda conserva originais e cópias de obras de nomes como Antônio de Pádua Falcão, João Francisco da Mata, Custódio Gomes e Vicente Veloso. O acervo também reúne repertórios sacros de diferentes períodos e constitui importante fonte para o conhecimento da prática musical de Tiradentes e das Vertentes. Essa rede de relações ampliou ainda mais o patrimônio da sociedade. Na década de 1940, por exemplo, Joaquim Ramalho acolheu em Tiradentes o compositor francês Fernand Jouteux (1866–1956), que dedicou obras à cidade e à amizade entre os dois, entre elas a abertura Tiradentes, apoteose sinfônica.
A partir da década de 1980, a Sociedade Orquestra e Banda Ramalho passou por um processo de revitalização de sua banda, com atenção especial à formação de jovens e crianças e ao aperfeiçoamento de seus músicos. Instalada no histórico Sobrado Ramalho, antiga residência da família e hoje também ligada à preservação do patrimônio de Tiradentes, a instituição continua responsável pela presença da música em importantes celebrações da cidade. Ao manter orquestra, coro e banda, preservar seu arquivo e transmitir a prática musical às novas gerações, a Ramalho dá continuidade a uma tradição que, há mais de um século e meio, integra a identidade cultural de Tiradentes.
